quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma nova forma de arrematar os pontos: Sewn casting off

Vocês já tiveram aquela sensação, quando estão arrematando os pontos, que não é possível que só exista uma única técnica?

Que aquelas "trancinhas" ao final do trabalho não são tão elegantes assim?!

Eu ainda estou lendo o livro Knitting Without Tears da Elizabeth Zimmermann, e me surpreendo cada vez mais com sua genialidade.

Eu gostaria de compartilhar com vocês essa técnica chamada de "sewn casting-off", ou em uma tradução mais próxima, arremate de pontos costurado.

Nessa técnica, na minha opinião, o arremate é mais limpo e não deixa aquele aspecto de peça feita à mão.

A TÉCNICA

1. O primeiro passo, é cortar uma quantidade suficiente de fio do novelo. Eu aconselho a sempre medir duas vezes o tamanho da peça e dar mais um pouquinho de folga, como um ou dois palmos.

2. Segurando a agulha com a mão esquerda, insira a agulha nos dois primeiros pontos, como se estivésse fazendo o ponto tricô:


3. Passe a agulha pelos dois pontos: 


4. Insira a agulha novamente na frente do primeiro ponto, como mostra a imagem. Observem que estamos desenhando um 8 com o fio, a ponta agulha de costura está apontando para a ponta da agulha de tricô: 


5. Passe o fio pelo primeiro ponto e descarte esse mesmo ponto da agulha de tricô:


6. O segundo ponto que sobrou agora será o primeiro ponto da agulha de tricô. Repita os passos 2 a 5 até o fim.

RESULTADO



É um pouco difícil de observar pela foto, mas vale à pena tentar essa técnica.

Me contem o que acharam se fizerem esse arremate!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ovelha olímpica.



Quando eu li essa reportagem, eu não pude deixar de postar aqui.

Na Nova Zelândia, a querida terra de Senhor dos Anéis, Último Samurai e até mesmo Nárnia, um grupo de fazendeiros defendem que a tosquia das ovelhas deveria ser incluída como uma nova categoria nas Olimpíadas de Londres.

Hoje em dia, já há competições para esse "esporte", mas sinceramente, eu fico imaginando como os animais seriam tratados na hora dessa tosquia contra o relógio.

E eu não digo isso às escuras. Eu já fui a um legítimo Woolshed australiano e não é fácil tosquiar as pequenininhas! Os tosquiadores são muito hábeis e evitam estressar ou machucá-las.

Mas é meio perturbador imaginar que a manipulação de outro ser vivo possa virar um esporte olímpico.  Elas não são um pedaço de prato, que você pode arremessar, ou uma bola que pode ser jogada de um lado para o outro. É uma vida!

Eu cresci em cidade grande, e ver uma galinha sendo acariciada segundo antes de torcerem seu pescoço, me marcou para o resto da vida. Assim como abaterem o boi que eu mais gostei para demonstrarem apreciação por mim.

Eu sempre digo que se eu tivesse que matar minha própria comida, eu seria vegetariana!

Cada um é cada um. O meio em que a gente cresce muda muito nosso ponto de vista. Eu tenho um coração de manteiga e sofro muito só de pensar que existam pessoas que machucam gatos ou cachorros por pura maldade.

Manipular qualquer tipo de vida é uma responsabilidade enorme, e em um primeiro momento, eu não acho que deveria ser considerado um esporte. 

Imaginem que uma raça alienígena nos domine e comecem a nos usar para "touradas" ou para qualquer outras atividades que nós fazemos com os animais. Imaginem que eles não achem isso crueldade porque nós não temos sentimentos, não somos racionais no ponto de vista deles....

Imaginaram?!





segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Especial fios: naturais x sintéticos.


Quem é que não gosta de entrar em uma loja e escolher o próximo fio que vai utilizar no novo projeto?! São tantas cores, marcas, espessuras, que a gente acaba até perdendo o foco e se não prestar atenção, acabará comprando mais novelos do que realmente precisa.

Recentemente eu passei a me interessar pelas fibras, e gostaria de compartilhar com vocês minhas impressões sobre esse tema.
Hoje, eu vou falar um pouquinho sobre as diferenças entre os fios naturais e sintéticos.


FIBRAS NATURAIS

As fibras naturais são aquelas obtidas de plantas, animais ou processos geológicos.
No tricô, as fibras utilizadas são a lã, a seda, o algodão, o bambu e eu já até encontrei novelos feito com a fibra da folha de maconha, milho e soja.
Em relação à lã, essa pode ser retirada de carneiros, bodes, lhamas e alpacas, sendo que o pelo passa por todo um processo para se transformar no novelinho que tanto amamos!
A lã merino é tosquiada, para quem está se perguntando, de carneiros da raça Merino, que são animais reconhecidos por terem a lã mais nobre para vestimentas. Eles são originários de Portugal e da Espanha, porém, hoje em dia temos diversos rebanhos em outros países, com destaque para a Austrália. O Brasil também já comercializa o fio merino.

Vantagens das fibras naturais:

1. Com certeza, a qualidade e a durabilidade do material, principalmente da lã. Para vocês terem uma idéia, arqueólogos encontram, até hoje, resquícios de roupas feitas de linho e lã há milhares de anos.

2. O toque do fio e o resultado final que ele deixa na peça.

3. Os fios mantém o calor do corpo.

Desvantagem das fibras naturais:

1. O preço. Definitivamente!

2. algumas fibras não são tão macias ao toque.

3. Maior cuidado na lavagem. Aqui eu faço uma observação: várias marcas já desenvolveram técnicas para possibilitarem a lavagem das fibras naturais à máquina. 


FIBRAS SINTÉTICAS

As fibras são feitas pelo homem e empregadas no tricô, sendo as mais comuns o acrílico e o nylon.

Vantagem dos sintéticos:

1. Sem sombra de dúvidas, a primeira vantagem que eu vejo nos fios sintéticos, é o preço - eles são bem mais baratos que os fios naturais de boa qualidade, o que permite que a arte do tricô seja acessível a todas as tricotadeiras. 

2. A maioria dos fios sintéticos podem ser facilmente lavados à máquina.

Desvantagens dos sintéticos:

1. Muitos fios não possuem elasticidade, e depois de muito usados, ficam com um aspecto de alargados.

2. Peças feitas com esse material não são muito boas para manter o calor do corpo, principalmente se estiverem molhadas.

3. Os fios são altamente inflamáveis e aderem ao corpo, queimando a pele (espero que isso nunca seja um problema!!).


MINHA OPINIÃO

Eu sou da opinião de que se vamos levar tanto tempo e fazer com tanto suor uma peça que as máquinas hoje em dia fazem em minutos, que as nossas obras se destaquem pela qualidade dos fios.

E por causa disso, estou desenvolvendo cada vez mais, uma certa paixão pelos fios naturais!

As peças que estou fazendo são para bebê e eu comprei tanto fios sintéticos, quanto naturais. 

Os fios 100% sintéticos apresentam uma certa resistência, uma elasticidade que me faz lembrar de plástico (claro!), o que não me agrada.

Há fios, todavia, com uma mistura de fibra natural e sintética que me surpreendem pela qualidade:  a mistura perfeita da qualidade com a praticidade.

Outro fator que vocês devem ter em mente, é se a peça que estão fazendo é definitiva, ou apenas um treino. Se vale à pena gastar um pouquinho a mais nela, porque é de uso pessoal, ou se ela será feita para revenda a um preço mais em conta etc.

Mas afinal, qual fio eu uso?!

Não se preocupem, ao passo que for usando os fios, eu farei um review deles, dando uma idéia melhor de quais são bons, ou não, para serem trabalhados, no meu ponto de vista. 




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Especial estilo de tricô: uma combinação de estilos!


No post anterior, falamos um pouquinho sobre dois principais estilos de tricô: o Britânico e o Continental.

Porém, eles não são os únicos, principalmente porque as formas de se tricotar obtendo o mesmo resultado, são incontáveis!

Hoje eu vou falar um pouco do estilo Combinado.

ESTILO COMBINADO

O estilo Combinado, como o próprio nome diz, mistura as técnicas do tricô oriental, com as do tricô ocidental (estilos Continental e Britânico).

Esse estilo ficou muito conhecido com a escritora e artesã Annie Modesitt, em seu livro "Confessions of a Knitting Heretic". Antes dela, o Tricô Combinado também foi mencionado por Mary Walker Phillips,  em 1961 e, é claro, Elizabeth Zimmermann!

A diferença nesse estilo está na forma em que fazemos o ponto de tricô e como a agulha entra no ponto meia.

Esse estilo é conhecido por ser mais rápido e fácil, além de deixar os pontos mais homogêneos, sendo até confundidos com os de máquina.

Será?!

PONTO TRICÔ

No ponto tricô, o mais ensinado é passarmos o fio por cima da agulha direita, e depois pegar o fio por baixo:

No estilo Combinado, o fio é passado por de baixo da agulha:


                                      


PONTO MEIA

Normalmente, o ponto meia é feito se inserindo a agulha direita pela frente da agulha esquerda, dessa forma:

                                           


No estilo Combinado, vocês irão notar que ao tentar inserir a agulha pela frente, o ponto oferecerá uma certa resistência. Já, inserindo agulha por trás, o fio irá abrir normalmente: 

                                                    

É por isso que o ponto meia, nesse estilo, é feito inserindo-se a agulha por trás:


Caso o ponto meia for executado pela frente, a peça apresentará um desenho torcido, também conhecido como ampulheta:


CONCLUSÃO

Eu experimentei todos os estilos, e acabei criando um meu próprio, muito próximo do estilo Combinado, que ainda postarei aqui. 

Esse estilo é realmente fantástico e deixa os pontos bem uniformes. Vale à pena experimentar!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Novos tutoriais saindo do forno!


Estou preparando com muito carinho alguns tutoriais sobre os estilos, mas eles estão tomando mais tempo do que eu havia imaginado.


Mas não se preocupem, amanhã postarei o primeiro e o mais curioso deles: o estilo combinado.

Há quem defenda que esse é o estilo mais rápido, que menos cansa e os pontos saem tão perfeitos que tem gente que confunde com o ponto de máquina.

Será que é verdade?!

Amanhã, eu trarei essas e mais curiosidades.

Até lá!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Especial estilo de tricô: destra ou canhota?!




Vocês sabiam que não é apenas na escrita que podemos ser destras ou canhotas?
No tricô também temos essa distinção, mas nós conhecemos pelo nome do estilo: Britânico ou Continental.

Muitas acham que por serem destras na escrita, serão também destras no tricô, o que já se foi comprovado ser um grande equívoco.
O fato de usarmos a mão esquerda ou a direita para tricotarmos, sofre influência direta de quem está nos ensinando.

No caso de quem se arrisca em uma aventura solitária no mundo do tricô, como eu, acaba aprendendo através de tentativa e erro. Eu experimentei os dois estilos e logo nas primeiras laçadas já escolhi o meu.

No estilo Britânico, também chamado de Americano, seguramos o fio na mão direita e usamos essa mesma mão para dar a laçada em volta da agulha.

Estilo Britânico ou Americano
Fonte: EZ

Já no estilo continental, o fio é segurado na mão esquerda e a agulha direita faz todo o trabalho de "pescar" o fio.

Estilo Continental
Fonte: EZ

Portanto, quem tricota no estilo Britânico ou Americano é considerada uma tricotadeira destra, e no Continental, canhota.  

E você? É uma tricotadeira destra ou canhota?!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Recalculando seus projetos.


Hoje eu vou continuar falando um pouco sobre a importância das amostrinhas, mas em um enfoque diferente.

Uma questão que me intriga é que todas as receitas que eu leio, sugerem que a agulha seja trocada em caso de a amostra ficar maior ou menor do que o indicado.

Porém, eu não acho que essa é uma boa opção, pois os pontos poderão ficar mais abertos, dando um aspecto não tão bonito à peça, ou muito fechados, o que pode, dependendo do fio, dar menos maleabilidade ao trabalho.

O que eu faço é redimensionar a receita.

Dá mais trabalho, com certeza, mas o resultado final é infinitamente melhor.

Para aquelas que nem imaginam como começar a medição, não precisam mais ficar frustradas! Basta apenas um lápis, um pedaço de papel e noções básicas de matemática.

Exemplos práticos valem mais do que mil palavras para mim, por isso, acho que o exemplo abaixo será suficiente para dar um upgrade no seu tricô!


BLUSA CARMEL

Essa blusa foi gentilmente cedida pela Pingouin, e eu irei usá-la como nosso exemplo prático.




Passo 1: o primeiro passo é saber quantos pontos, por quantas carreiras, a receita informa na amostra. No nosso caso, iremos tricotar 18 pontos, por 25 carreiras.


O tamanho da agulha deve ser a que melhor se adapta ao fio que iremos usar.



Vamos supor que o nosso quadradinho de 18 pontos por 25 carreiras, ao invés de dar 10cm x 10cm, resultou em 5cm x 5cm.

Passo 2: com esses valores em mãos, já podemos fazer a adaptação necessária de diversas formas. A que eu acho mais fácil, é através do gráfico:


Vamos pegar a base da blusa, que mede 43 cm (5cm + 33 cm + 5 cm).

         
5 cm   -> 18 pontos
43 cm ->  x pontos

5x = 18 x 43

5x = 774

x = 774/5

x= 154,8


Se em 5 cm temos 18 pontos, em 43 cm temos 154,8 pontos, ou seja, 155 pontos. 


Essa conta pode ser aplicada em todo o esquema, possibilitando que você a tricote em qualquer fio que quiser, dos mais grossos, ao mais fininhos.


Dica deste post: gaste um pouquinho mais de tempo nos cálculos de sua peça, pois o resultado final valerá à pena, além de esta técnica abrir um leque de novas possibilidades quanto ao material utilizado.